Repensar o trabalho
uma exigência da crise ecológica
Palavras-chave:
Trabalho, Crise Ecológica, Crise do Trabalho.Resumo
A finalidade central deste artigo é estabelecer uma conexão entre trabalho e ecologia. Enfrentamos uma crise que ameaça a própria civilização humana: a crise ecológica. O planeta Terra dá reiterados sinais de esgotamento em sua capacidade de prover recursos capazes de sustentar o atual padrão de produção e consumo da sociedade mundial. O agravamento da crise ambiental, embora tenha se intensificado vertiginosamente nas últimas décadas, teve seu ponto de inflexão com a Revolução Industrial, consolidando-se no modo de produção fordista. A derrocada do fordismo, entretanto, e sua substituição pelo modo de produção flexível — característico do denominado capitalismo de plataforma — não interrompeu a agressão ao meio ambiente. É fato inconteste que o crescimento infinito em um planeta de recursos finitos revela-se inexequível. Uma orientação para o enfrentamento da crise ecológica pode ser encontrada no método da complexidade e no princípio da “ecologia da ação” proposto por Morin. A ideia central é que tudo está interligado e entrelaçado e, portanto, uma ação, mesmo realizada com os melhores propósitos, pode escapar ao controle e voltar-se contra seu objetivo inicial. Partindo desse método, tendo presente o imperativo da crise ecológica, a reorganização do trabalho humano apresenta-se como uma janela de oportunidade que pode contribuir para mitigar e retardar o agravamento da crise ambiental. Este artigo sustenta a ideia de que é possível — como demonstram inúmeras experiências e reflexões — repensar o labor humano em um processo de transição: da concepção do trabalho como transformação da natureza para a concepção do trabalho como cuidado da natureza.
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