Mulheres negras rurais em cooperativas
Existência, resistência e protagonismo
DOI:
https://doi.org/10.25247/2447-861X.2026.n267.p239-260Palabras clave:
Interseccionalidade, Desigualdades sociais, relações de poder.Resumen
Este artigo buscou analisar a participação das mulheres rurais, sobretudo as negras, nas cooperativas e nos cargos dos conselhos de administração com o intuito de debater se o cooperativismo rural é um mecanismo de equidade de gênero e raça, a partir do contexto da Bahia e do Rio Grande do Sul. Para alcançá-lo, adotou-se a perspectiva teórico-metodológica da interseccionalidade, que possibilita compreender como o gênero, a raça e a classe se entrecruzam na conformação das desigualdades. Manuseou-se um banco de dados com 64 cooperativas, estando 36 localizadas na Bahia e 28 no Rio Grande do Sul. Os dados primários foram coletados por meio de um formulário estruturado enviado às cooperativas entre julho e agosto de 2023. Apesar do predomínio de homens brancos nos cargos de mais poder das cooperativas, constatou-se que entre as 10 cooperativas presididas por mulheres rurais, 62,8% são negras. Esse dado demonstra a existência, resistência e protagonismo das pretas e pardas, de forma mais expressiva nas cooperativas da Bahia. Não obstante, faz-se necessária uma reflexão das práticas cooperativistas embasadas na perspectiva interseccional, para que se adotem políticas de inclusão racial e de gênero nas cooperativas, com formações voltadas principalmente às lideranças femininas e negras.
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