DO RESSENTIMENTO À ESPERANÇA?
UM COMPARATIVO ENTRE AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2018 E 2022 NA CIDADE DO NATAL/RN
DOI:
https://doi.org/10.25247/2447-861X.2025.n265.p472-492Palabras clave:
democracia, ressentimento político, eleições presidenciais, Polarização, BrasilResumen
O ressentimento político tem sido marcado, nos últimos anos, pela ascensão de lideranças e de movimentos de extrema-direita no espectro político-ideológico da Europa, América do Norte e América Latina. No Brasil, esse cenário ganhou destaque nas eleições presidenciais de 2018 com a vitória de Bolsonaro, que se tornou o porta-voz eleitores ressentidos e descontentes com a política, os quais encaravam o futuro do país e da própria democracia com desesperança. Entretanto, a vitória de Lula nas eleições de 2022 trouxe consigo a promessa de novos tempos na política brasileira, o que levanta a questão: essa vitória representa o fim desse ressentimento político? O presente trabalho tem como objetivo traçar, de forma comparativa, o perfil do eleitor ressentido com a política brasileira. Para isso, optamos por analisar uma capital do país, Natal (RN), localizada na região Nordeste. Embora essa região concentre a maior parcela do eleitorado do PT no país, ela tem demonstrado um crescente ressentimento nas últimas eleições. Utilizamos o recurso de mapas para uma imersão espacial nesse fenômeno nos bairros, o que permitiu uma leitura das características gerais do eleitorado. Os dados indicam que a figura de Lula conseguiu penetrar de maneira mais profunda nos bairros da capital do que a de Haddad na eleição de 2018, possivelmente por resgatar nos eleitores ressentidos as memórias de um passado de bonança econômica.
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