Sementes crioulas na comunidade remanescente de quilombo Lagoa de Melquíades e Amâncio, porção média da Bacia Rio Pardo, em Vitória da Conquista, Bahia
DOI:
https://doi.org/10.25247/2447-861X.2026.n267.p284-306Palavras-chave:
Banco de sementes, Médio Rio Pardo, Território tradicionalResumo
O artigo analisa a conservação de sementes crioulas na Comunidade Remanescente de Quilombo Lagoa de Melquíades e Amâncio, localizada em Vitória da Conquista, na porção média da bacia do Rio Pardo, em um contexto marcado pela expansão das monoculturas de eucalipto e café e pela intensificação dos conflitos territoriais. A pesquisa, de abordagem quali-quantitativa, baseou-se em entrevistas semiestruturadas, levantamento das variedades conservadas e análise comparativa entre bancos domiciliares e banco comunitário de sementes. Os resultados evidenciam maior diversidade e efetividade de conservação nos bancos familiares, com baixa similaridade em relação ao banco comunitário, indicando que a manutenção da agrobiodiversidade ocorre de forma descentralizada. A fragilidade do banco comunitário relaciona-se à descontinuidade de políticas públicas, ausência de assessoria técnica continuada e implantação sem diagnóstico aprofundado das dinâmicas locais. Conclui-se que as sementes crioulas constituem base material e simbólica da autonomia produtiva, da soberania alimentar e da resistência territorial quilombola frente ao avanço do agronegócio.
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