O Novo Constitucionalismo Latino-Americano (NCLA) e Direitos da Natureza

contribuições do ecofeminismo animalista decolonial

Autores

  • Andyara Letícia de Sales Correia PPGD/UFRJ

Resumo

O artigo analisa os limites do Novo Constitucionalismo Latino-Americano (NCLA)  na superação da colonialidade do poder, especialmente quando trouxe mudanças significativas nas questões dos direitos fundamentais, mas manteve intocada a tríplice repartição dos poderes dentro do paradigma colonial. Parte-se do seguinte problema: Em que medida o Novo Constitucionalismo Latino-Americano rompe efetivamente com a colonialidade do poder e permite uma reconstrução ecocêntrica e pluralista a partir de uma perspectiva ecofeminista animalista decolonial? Embora constituições como a do Equador (2008) e da Bolívia (2009) tenham promovido avanços relevantes ao reconhecer o bem viver e os Direitos da Natureza, observa-se a manutenção da lógica da “sala de máquinas” constitucional, nos termos de Roberto Gargarella (2014), por isso é necessário democratizar a tomada de decisão democrática. A pesquisa defende que o ecofeminismo animalista decolonial oferece contribuições teóricas e práticas para radicalizar o giro ecocêntrico e pluralista no Sul Global, ao articular crítica à colonialidade do ser, do saber e do poder com a defesa de uma reorganização comunitária, multiespécie e relacional das estruturas políticas e jurídicas. O presente artigo adotou pesquisa bibliográfica e documental, de abordagem qualitativa, com método hipotético-dedutivo e perspectiva crítico-decolonial, mediante pesquisa bibliográfica e documental.

Referências

ALTERIO, Ana Micaela. Corrientes del constitucionalismo contemporáneo a debate. Probl. anu. filos. teor. derecho, Ciudad de México , n. 8, p. 227-306, dic. 2014 Disponível em: http://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2007-43872014000100008&lng=es&nrm=iso. Acesso em: 06 abr. 2026.

BALLESTRIN, Luciana. América Latina e o giro decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 11, p. 89–117, maio 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbcpol/a/DxkN3kQ3XdYYPbwwXH55jhv/abstract/?lang=pt#. Acesso em: 06 abr. 2026.

BALMANT EMERIQUE, Lilian. Descolonizar el constitucionalismo de Abya Yala: vivencias desde la ancestralidad hasta la vanguardia. In: Estupiñam, Liliana Achury; Balmant Emerique, Lilian. Constitucionalismo de resistencia y de la integración desde y para Abya Yala. Colombia: Universidad Libre, 2023, p. 55-67. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=8942821. Acesso em: 06 abr. 2026.

BISPO DOS SANTOS, Antônio A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora/ PISEAGRAMA, 2023a.

BISPO DOS SANTOS, Antônio. Somos da terra. In: CARNEVALLI, Felipe et al. (Org.). Terra: antologia afro-indígena. São Paulo: Ubu Editora, 2023b.

BOLÍVIA. Constituição (2009). Constituição Política do Estado. Disponível em: https://www.oas.org/dil/esp/constitucion_bolivia.pdf. Acesso em: 06 abr. 2026.

BOLÍVIA. Lei nº 71, de 21 de dezembro de 2010. Disponível em: https://www.lexivox.org/norms/BO-L-N71.html. Acesso em: 06 abr. 2026.

COSTA, Maria da Graça. Agroecologia, ecofeminismos e bem viver: emergências decoloniais no movimento ambientalista brasileiro. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (Org.). Pensamento feminista hoje: perspectivas decolonias. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020.

DALMAU, R. Martínez. ¿Han funcionado las constituciones del nuevo constitucionalismo latinoamericano?. Cultura Latinoamericana. 28 (2), 2018, pp. 138-164. DOI: http://dx.doi.org/10.14718/CulturaLatinoam.2018.28.2.7. Acesso em: 06 abr. 2026.

EQUADOR. Constituição (2008). Constituição da República do Equador. Disponível em:https://siteal.iiep.unesco.org/sites/default/files/sit_accion_files/constitucion_de_la_republica_del_ecuador.pdf. Acesso em: 06 abr. 2026.

GARGARELLA, Roberto. La sala de máquinas de la constitución: Dos siglos de constitucionalismo em América Latina (1810-2010). Buenos Aires: Katz Editores, 2014.

GROSFOGUEL, Ramón. Para descolonizar os estudos de economia política e os estudos pós-coloniais: Transmodernidade, pensamento de fronteira e colonialidade global. Periferia, v. 1, n. 2, 2012, p. 41-91. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/periferia/article/view/3428. Acesso em: 06 abr. 2026.

LUGONES, María. Rumo a um feminismo descolonial. Revista Estudos Feministas, v. 22, n. 3, p. 935–952, 2014. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/36755. Acesso em: 06 abr. 2026.

LUGONES, María. Colonialidade e gênero. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (Org.). Pensamento feminista hoje: perspectivas decolonias. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020.

MALDONADO-TORRES, Nelson. Sobre la colonialidad del ser: contribuciones al desarrollo de un concepto. In: CASTRO-GOMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Ramón. El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores; Universidad Central, Instituto de Estudios Sociales Contemporáneos y Pontificia Universidad Javeriana, Instituto Pensar, 2007, p. 127-168. Disponível em: http://observatorioedhemfoc.hospedagemdesites.ws/observatorio/wp-content/uploads/2020/09/El-giro-decolonial-1.pdf. Acesso em: 06 abr. 2026.

MANESCHY, Júlia Lourenço. Por um mundo ecofeminista decolonial: uma análise da violência contra a mulher e a natureza latinas a partir do Brasil e do Sistema Interamericano de Direitos Humanos. São Paulo: Editora Dialética, 2023.

MIES, Maria; SHIVA, Vandana. Ecofeminismo. Tradução de Caroline Caires Coelho. Belo Horizonte: Editora Luas, 2021.

MIGNOLO, Walter. Desobediência epistêmica: retórica de la modernidad, lógica de la colonialidad y gramática de la descolonialidad. Argentina: Ediciones del signo, 2010. Disponível em: https://monoskop.org/images/9/9b/Mignolo_Walter_Desobediencia_epistemica_retorica_de_la_modernidad_logica_de_la_colonialidad_y_gramatica_de_la_descolonialidad_2010.pdf. Acesso em: 06 abr. 2026.

OLIVEIRA, Fabio A. G.; SILVA, Maria Alice da. Ecofeminismos: gênero e natureza como plataforma de pensamento crítico. In: BORGES, Maria de Lourdes; TIBURI, Marcia; CASTRO, Suzana de (Org.). Filosofia feminista. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2023.

PIRES, Thula. Por um constitucionalismo ladino-amefricano. Costa, Joaze Bernadino; Maldonado-Torres; Nelson; Grosfoguel, Ramón (org.). Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico. Belo Horizonte: Autêntica, 2018, p. 285-303.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidad del poder y clasificación social. In: CASTRO-GOMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Ramón. El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores; Universidad Central, Instituto de Estudios Sociales Contemporáneos y Pontificia Universidad Javeriana, Instituto Pensar, 2007, p. 93-126. Disponível em: http://observatorioedhemfoc.hospedagemdesites.ws/observatorio/wp-content/uploads/2020/09/El-giro-decolonial-1.pdf. Acesso em: 06 abr. 2026.

ROSENDO, Daniela; OLIVEIRA, Fabio A. G.; KUHNEM, Tânia A. “Locus fraturado”: resistências no Sul global e práxis antiespecistas ecofeministas descoloniais. In: DIAS, Maria Clara et al (Org.). Feminismos decoloniais: homenagem a Maria Lugones. Rio de Janeiro: Ape’ku, 2020.

SHIVA, Vandana. Monoculturas da mente: perspectivas da biodiversidade e biotecnologia. São Paulo: Gaia, 2018.

Downloads

Publicado

2026-09-07

Como Citar

de Sales Correia, A. L. (2026). O Novo Constitucionalismo Latino-Americano (NCLA) e Direitos da Natureza: contribuições do ecofeminismo animalista decolonial. Revista Latino-Americana De Direitos Da Natureza E Dos Animais, 9(2), p. IX17(1–24). Recuperado de https://portaldeperiodicos.ucsal.br/index.php/rladna/article/view/1655

Edição

Seção

Dossiê: 3º Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza - Artigos