Bem Viver, Cosmovisões originárias e Bem-Estar Animal: diálogos para a promoção do fortalecimento das políticas públicas do cuidado interespécies
Resumo
Este artigo é apresentado como produto do Estágio de Pós-Doutoramento realizado junto à Universidade Federal Rural de Pernambuco, sob supervisão da Profa. Dra. Ana Paula Tenório Monteiro.
Discute as interfaces entre o Bem Viver (Buen Vivir[1]), a concepção das cosmovisões originárias nas relações interespécies e a ciência do Bem-Estar Animal. Argumenta-se que essas três perspectivas, embora provenientes de matrizes epistemológicas distintas, convergem na construção de uma ética ampliada do cuidado interespécies, capaz de integrar saberes científicos, filosóficos, comunitários e ancestrais. Essa análise contribui para abordagens decoloniais e contextualizadas do bem-estar animal na América Latina.
Considerando que o bem-estar animal tem passado por um processo de ampliação paradigmática, deixando de ser compreendido apenas como uma área biomédica focalizada na dor, no estresse e na fisiologia da homeostase, para incluir dimensões éticas, ecológicas, culturais e políticas, podemos compreender que essa expansão dialoga, de maneira particularmente fecunda, com os saberes originários latino-americanos, especialmente aqueles provenientes das cosmovisões andinas, como o Bem Viver (Buen Vivir).
O Bem Viver formula uma ética da convivência coletiva e da harmonia socioambiental. Na perspectiva do sagrado concebida pelos povos originários, presente nestas inter-relações, o Bem Viver estabelece uma ontologia na qual humanos, animais e ecossistemas ocupam posições igualmente fundamentais em uma teia viva e interdependente. A ciência do bem-estar animal, por sua vez, oferece instrumentos metodológicos para operacionalizar princípios éticos em práticas de cuidado.A articulação entre essas perspectivas, assim, permite não apenas compreender os animais em sua dimensão biológica e emocional, mas situá-los dentro de um sistema maior de relações comunitárias e ecológicas.
[1] Expressão e conceito institucionalizado quando da promulgação da Constituição Federal do país do Equador, em 2008.
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