Do campo ao campus

a agroecologia como movimento na disputa do currículo no ensino superior

Autores

DOI:

https://doi.org/10.25247/2447-861X.2026.n267.p103-128

Palavras-chave:

Educação do Campo, Agroecologia, Movimentos Sociais, IF Baiano

Resumo

Este artigo analisa a relação entre o curso de Agroecologia do Instituto Federal Baiano - Campus Uruçuca e os movimentos sociais do campo no Território Litoral Sul da Bahia, considerando as tensões históricas entre a herança da escola de capatazes, que formava mão de obra para o latifúndio cacaueiro, e as atuais demandas por uma educação emancipatória e contextualizada. A pesquisa, de abordagem qualitativa e caráter exploratório, combinou análise documental do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) com entrevistas semiestruturadas realizadas com lideranças de movimentos sociais do campo e interlocutores institucionais. Os resultados evidenciam um distanciamento estrutural entre a formação acadêmica em Agroecologia e a práxis dos movimentos sociais, manifestado na limitada participação destes na concepção e desenvolvimento do curso, na prevalência de abordagens empreendedoristas e tecnicistas no currículo, e na baixa incorporação dos saberes ancestrais e das experiências agroecológicas consolidadas nos assentamentos da região. As lideranças entrevistadas concebem a Agroecologia em sua dimensão ampliada – como ciência, prática e movimento – articulada à luta por terra, território, soberania alimentar e educação popular, em contraposição à perspectiva restrita que tende a predominar no ambiente acadêmico. O estudo aponta que a superação desse distanciamento requer não apenas reformulações curriculares, mas a construção efetiva de relações dialógicas e orgânicas com os movimentos sociais, reconhecendo-os como sujeitos políticos produtores de conhecimento e protagonistas na disputa por um projeto de campo e de sociedade antagônico ao do agronegócio.

 

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Biografia do Autor

Hortência Gonçalves Brito, Instituto Federal do Rio Grande do Norte

Pós-graduanda em Educação Ambiental e Geografia do Semiárido pelo IFRN, graduada em Agroecologia pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano. Tem interesse de pesquisa nas áreas da Educação do Campo e Movimentos Sociais, com ênfase nas relações entre o ensino de Agroecologia e a organização camponesa. Possui experiência como educadora Popular, atuando com abordagens participativas e dialógicas no desenvolvimento de atividades de assistências técnica e extensão rural junto a agricultura familiar.

Adeilton Dias Alves, Instituto Federal do Rio Grande do Norte

Doutor em Ciências Sociais pela UFRN. Mestre em Ciências Sociais e Humanas pela UERN. Estudos em Educação no Semiárido, Planejamento e Avaliação de Programas Sociais Urbanos e Rurais, Juventudes e Educação. Cientista Social. Docente vinculado ao Instituto Federal do Rio Grande do Norte - IFRN. Atualmente se interessa por Teorias Sociológicas, Cultura e Sociologia da Educação, Justiça nas Relações Étnico-raciais.

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Publicado

2026-09-14

Como Citar

BRITO, Hortência Gonçalves; ALVES, Adeilton Dias. Do campo ao campus: a agroecologia como movimento na disputa do currículo no ensino superior . Cadernos do CEAS: Revista crítica de humanidades, Salvador, BA, Brasil, v. 51, n. 267, p. 103–128, 2026. DOI: 10.25247/2447-861X.2026.n267.p103-128. Disponível em: https://portaldeperiodicos.ucsal.br/index.php/cadernosdoceas/article/view/1586. Acesso em: 24 out. 2026.