TRILHAR, RESISTIR E PERTENCER: PESQUISA-AÇÃO PARTICIPATIVA E TERRITORIALIDADE COMUNITÁRIA NO TERRITÓRIO KALUNGA, CAVALCANTE (GOIÁS)

Autores/as

Resumen

O artigo analisa o território Kalunga, a partir do município de Cavalcante, estado de Goiás, através de uma perspectiva que integra territorialidade comunitária e pesquisa-ação participativa. A análise parte da dissertação de mestrado defendida em 2023, no Programa de Pós-Graduação em Geografia, da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e foi construída em parceria com a comunidade quilombola Kalunga, com o objetivo de compreender o trilhar como uma prática simbólica e material que reflete modos próprios de habitar a sociobiodiversidade, resistir e produzir conhecimento. A investigação adotou uma abordagem participativa, envolvendo a visita no interior das comunidades, escutas, registros fotográficos e mapeamentos realizados com as lideranças e guias locais. Foram identificados e registrados espaços significativos, como as cachoeiras Santa Bárbara, Capivara, Candaru, que representam não apenas atrativos naturais, mas também lugares de memória, fé e sociabilidade. O trilhar Kalunga revela-se como uma prática que articula saber tradicional, economia solidária e pertencimento territorial, fortalecendo a autonomia comunitária frente às pressões externas que evidenciam a necessidade de controle territorial. Assim, o turismo de base comunitária surge como um caminho de emancipação política, econômica e valorização cultural, reafirmando o território Kalunga como espaço de resistência e de construção de futuros sustentáveis no Cerrado brasileiro.

Palavras-chave: Comunidade Kalunga. Cerrado. Pesquisa-Ação Participativa. Territorialidade. Resistências.

Abstract

​The article analyzes the Kalunga territory, specifically in the municipality of Cavalcante, Goiás state, through a perspective that integrates community territoriality and participatory action research (PAR). The analysis stems from the Master's dissertation defended in 2023, within the Postgraduate Program in Geography at the State University of Goiás (UEG), and was developed in partnership with the Kalunga quilombola community. Its objective was to understand 'trilhar' (the act of tracing/following a path) as a symbolic and material practice that reflects distinctive ways of inhabiting sociobiodiversity, resisting, and producing knowledge. ​The investigation adopted a participatory approach, involving visits to the communities, listening sessions, photographic records, and mapping carried out with local leaders and guides. Significant spaces were identified and registered, such as the Santa Bárbara, Capivara, and Candaru waterfalls, which represent not only natural attractions but also places of memory, faith, and sociability. The Kalunga paths ('trilhar Kalunga') are revealed as a practice that articulates traditional knowledge, solidarity economy, and territorial belonging, strengthening community autonomy against external pressures that highlight the need for territorial control. Thus, community-based tourism emerges as a path toward political and economic emancipation and cultural valorization, reaffirming the Kalunga territory as a space for resistance and the construction of sustainable futures in the Brazilian Cerrado.

​Keywords: Kalunga Community. Cerrado. Participatory Action Research. Territoriality. Resistances.

Biografía del autor/a

Karla Teixeira de Aguiar, Universidade Estadual de Goiás

Mestra em Geografia pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGEO) da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Desenvolve pesquisas sobre comunidades quilombolas em Goiás, com enfoque na Educação Escolar Quilombola, em colaboração com a Universidade de Brasília (UnB). É membro da Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) (ABPN), da Rede de Pesquisadores de Comunidades Tradicionais (CT), da Rede de Pesquisas Quilombolas Kalunga e do Grupo de Leituras em Geografia Cultural Maria Geralda de Almeida, vinculado ao Instituto de Geociências (IGC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Lorranne Gomes da Silva, Universidade Estadual de Goiás

Professora Doutora, titular da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Câmpus Cora Coralina, Cidade de Goiás (GO), no curso de Licenciatura em Geografia e do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Geografia (PPGEO).

Nilcia Ribeira dos Santos

Quilombola Kalunga da comunidade Vão de Almas no município de Cavalcante em Goiás. Possui graduação em Geografia pela Universidade Federal de Goiás (2021). Tem experiência na área de Geografia, com ênfase em Geografia física. Atuando nos seguintes temas: Relatos de trajetórias socioespaciais dos estudantes quilombolas no espaço acadêmico da Universidade Federal de Goiás entre 2017 e 2021.

Publicado

2026-09-24

Cómo citar

Aguiar, K. T. de, Silva, L. G. da, & Santos, N. R. dos. (2026). TRILHAR, RESISTIR E PERTENCER: PESQUISA-AÇÃO PARTICIPATIVA E TERRITORIALIDADE COMUNITÁRIA NO TERRITÓRIO KALUNGA, CAVALCANTE (GOIÁS). Revista Territorialidades, 2(2), 25–40. Recuperado a partir de https://portaldeperiodicos.ucsal.br/index.php/revistaterritorialidades/article/view/1528

Número

Sección

Dossiê