A DEFINIÇÃO DE “MATURIDADE SUFICIENTE” NOS CASOS DE SUBTRAÇÃO INTERNACIONAL DE CRIANÇAS: QUANDO A CRIANÇA ESTÁ APTA A PARTICIPAR DO PROCESSO JUDICIAL?

Autores

  • Rodrigo Santos Meira Universidade de Brasília (UnB)

Palavras-chave:

Convenção dos Direitos da Criança, Convenção de Haia de 1980, participação da criança, Brasil

Resumo

O presente artigo analisa a jurisprudência brasileira, comparando-a à europeia, para verificar como os juízes interpretam o conceito de “maturidade suficiente” da criança no processo de subtração internacional. Avaliam-se casos em que se detectaram disparidades sobre o conceito, provocando discussão sobre os parâmetros definidores dos limites para permitir a participação da criança. Se o objetivo é verificar o melhor interesse da criança, ninguém melhor que ela mesma para dizer o que deseja: se objeta ou concorda com o pedido de retorno imediato. Sugere-se que seja dada atenção a esses aspectos e, havendo manifestação livre de influência externa, deve o juízo federal observar a aplicação da exceção da oposição ao retorno imediato, a depender das razões apontadas; em casos de dúvida ou incerteza sobre as razões apresentadas, essa exceção não deve ser utilizada, sob pena de fragilizar o propósito convencional.

Biografia do Autor

Rodrigo Santos Meira, Universidade de Brasília (UnB)

Doutorando em Direito pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade de Brasília (UnB)
E-mail: rsmbahia@gmail.com

Referências

BEAUMONT, Paul; McLEAVY, Peter. The Hague Convention on International Child Abduction. New York: Oxford University Press, 1999.

BEAUMONT, Paul; WALKER, Lara; HOLLIDAY, Jayne. Conflicts of EU courts on child abduction: the reality of Art 11(6)-(8) Brussels IIa proceedings across the EU. Journal of Private International Law, 12 (2), 2016, pp. 211-260. ISSN 1744-1048.

BEAUMONT, Paul; WALKER, Lara; HOLLIDAY, Jayne. Parental Responsibility and International Child Abduction in the proposed recast of Brussels IIa Regulation and the effect of Brexit on future child abduction proceedings. International Family Law, Issue 4, 2016, pp. 307-318.

BRASIL. Lei n. 13.431, de 4 de abril de 2017. Estabelece o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência e altera a Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). Brasília, 2017.

BRASIL. Decreto n. 9.603, de 10 de dezembro de 2018. Regulamenta a Lei n. 13.431, de 4 de abril de 2017, que estabelece o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência. Brasília, 2018.

BRASIL. Decreto 3.413, de 14 de abril de 2000. Palácio do Planalto. Brasília, DF, 2006. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3413.htm. Acesso em 12 nov. 2020.

BRASIL. Resolução nº 449/2022. Conselho Nacional de Justiça (CNJ). In https://atos.cnj.jus.br/files/original131217202204016246fa3199959.pdf

BRASIL. Supremo Tribunal Federal (STF). HABEAS CORPUS Nº 209.497. Decisão. Ministro Alexandre de Moraes. STF – Dje nº 227/2022, Divulgação 10/11/2022, Publicação 11/11/2022. Julgamento em 10/11/2022 (documento coletado na internet).

CAMPBELL, Alan. The right to be heard: Australian children's views about their involvement in decision-making following parental separation. Child Care in Practice, v. 14, n. 3, p. 237-255, 2008.

CASHMORE, Judy; PARKINSON, Patrick. Children’s and parents’ perceptions on children’s participation in decision making after parental separation and divorce. Family court review, v. 46, n. 1, p. 91-104, 2008.

ELROD, Linda D. “Please Let Me Stay”: hearing the voice of the child in Hague Abduction Cases. Oklahoma Law Review. 663 (2011), p. 663-690.

HART, Roger A. et al. Children's participation: From tokenism to citizenship, 1992.

KRUGER, Thalia; CARPANETO, Laura; MAOLI; Francesca; LEMBRECHTS, Sara; VAN HOF, Tine & SCIACCALUGA, Giovanni (2022). Current-day international child abduction: does Brussels IIb live up to the challenges? In Journal of Private International Law, 18:2, 159-185, DOI: 10.1080/17441048.2022.2080379

LAPERRIÈRE, Anne. A teorização enraizada (grounded theory): procedimento analítico e comparação com outras abordagens similares. In POUPART, Jean et ali. A pesquisa qualitativa. Enfoques epistemológicos e metodológicos. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2014, p. 353-385.

LUNDY, L. “‘Voice’ is not enough: conceptualizing article 12 of the United Nations Convention on the Rights of the Child”. In British Educational Research Journal 2007 (33(6)): 927-942.

MCMELLON, Christina; TISDALL, E. Kay M. Children and young people’s participation rights: Looking backwards and moving forwards. The International Journal of Children's Rights, v. 28, n. 1, p. 157-182, 2020.

MEIRA, Rodrigo S. A Reformulação do Regulamento Bruxelas II-Bis em Matéria de Subtração Internacional de Crianças: sugestões para o aprimoramento da aplicação da Convenção de Haia de 1980 no Brasil. In MANTELLI, Gabriel Antonio Silveira; MASCARO, Laura Degaspare Monte (organizadores). Direitos Humanos em Múltiplas Miradas. São Paulo: Escola Superior da Advocacia da OAB, 2021, p. 122-136.

SINGER, Anna. Voices heard and unheard–A Scandinavian perspective. Journal of Social Welfare and Family Law, v. 36, n. 4, p. 381-391, 2014.

THE UNITED NATIONS. COMMITTEE ON THE RIGHTS OF THE CHILD. General Comment No. 12 (2009). The right of the child to be heard. Fifty-first Session. Geneva, 25 May-12 June 2009.

TISDALL, E.K.M. e PUNCH, S. “Not so ‘new’? Looking critically at childhood studies”. Children’s Geographies 2012 (10(3)), 249-264.

TISDALL, K. “The rule of law. Challenging Child Protection: New Directions in Safeguarding Children”. Research Highlights, 2015 (57), 42-49.

Downloads

Publicado

2023-12-02

Como Citar

Meira, R. S. (2023). A DEFINIÇÃO DE “MATURIDADE SUFICIENTE” NOS CASOS DE SUBTRAÇÃO INTERNACIONAL DE CRIANÇAS: QUANDO A CRIANÇA ESTÁ APTA A PARTICIPAR DO PROCESSO JUDICIAL?. Revista Direitos Fundamentais E Alteridade, 7(1-2), Em breve. Recuperado de https://portaldeperiodicos.ucsal.br/index.php/direitosfundamentaisealteridade/article/view/1387

Edição

Seção

Políticas Públicas e Efetivação de Direitos Fundamentais